18 de março de 2021

Sobre o bem e o mal.


Vivemos em uma sociedade pautada pelos bons princípios, na qual somos educados para seguir regras de convivência e nos comportarmos de acordo com o que seja adequado para o coletivo.  Pra início de conversa, é importante definir o conceito de bem e entender que este conceito é relacionado especificamente a uma determinada comunidade em uma determinada época e as noções de bem e mal podem variar com o passar dos anos e com a mudança de lugar.

Também é importante observar que o que é bom para um, não necessariamente é bom para todos.  Considerando que o bem se relaciona ao que é bom para a comunidade, automaticamente o bem está associado à cultura e ao comportamento desta comunidade e não necessariamente ao bem do indivíduo.  Embora, em linhas gerais, se o indivíduo se enquadra na comunidade em que vive, o que é bom para o coletivo é bom para o indivíduo.

Somos educados para manifestar o bem.  Tirar boas notas, fazer boas ações, vencer competições, ganhar dinheiro, ter sucesso, constituir família.  E, veja bem, estes são alguns exemplos de casos que farão o indivíduo ser bem visto na sociedade, ser querido, ser respeitado.

Mas é importante entender que não somos um pilar de virtudes, que só pratica o que é bom e só se mantém pelo bem.  Em essência, todos nós temos, em contrapartida, uma parte que é má.  E ser mau também é necessário.  Quando nos questionamos sobre a maldade que há em nós, ninguém quer enxergar maldade em si mesmo.

Sentimentos como gula, ira, preguiça, avareza, vaidade, luxúria e inveja vêm acompanhando o ser humano desde sempre.  Entretanto, só no século 6, o papa Gregório Magno definiu como sendo sete os principais vícios de conduta que são da natureza do seu humano, embora a Igreja Católica só tenha formalizado a lista no século 13 (leia mais aqui).  E não!  Esta lista de “pecados” não é exclusiva do cristianismo.  Outras religiões, como o judaísmo e o islamismo também definem bem em seus dogmas quais são os comportamentos que atuam contra o coletivo.

É importante entender que o ser humano não é essencialmente bom ou mau.  As condições em que o indivíduo se desenvolve certamente exercem grande influência sobre seu comportamento enquanto adulto, e sem dúvida são determinantes em relação à sua vida em sociedade.  A capacidade de avaliar os próprios sentimentos, ponderar sobre o que é moralmente certo e errado dentro da sociedade em que se está inserido e o equilíbrio entre bom e o mau instinto são essenciais na definição do caráter do indivíduo.

Buscar conhecer outras formas de pensar, outras culturas, outros hábitos, outras formas de ver uma determinada situação são maneiras de ampliar os horizontes e se colocar no lugar do outro.  Essa amplitude leva o indivíduo a ponderar antes de criticar.  A capacidade de se colocar no lugar do outro talvez seja o primeiro passo para entender que o bem e o mal são conceitos relativos, mas que atuam de forma incisiva na vida das pessoas que nos cercam. 

Apesar desta relatividade de conceitos, entender o tempo e o espaço em que se vive e buscar novos ângulos são fatores determinantes na definição de ser bom ou mau.  Os reflexos das nossas atitudes na vida de outros indivíduos que convivem conosco direta ou indiretamente também são determinantes neste sentido.  E estar consciente de que cada ação que praticamos promove uma reação sobre o meio em que vivemos e em nós mesmos talvez seja o melhor argumento para que façamos sempre o melhor ao nosso alcance.

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