Também é importante
observar que o que é bom para um, não necessariamente é bom para todos. Considerando que o bem se relaciona ao que é
bom para a comunidade, automaticamente o bem está associado à cultura e ao
comportamento desta comunidade e não necessariamente ao bem do indivíduo. Embora, em linhas gerais, se o indivíduo se
enquadra na comunidade em que vive, o que é bom para o coletivo é bom para o
indivíduo.
Somos educados para
manifestar o bem. Tirar boas notas,
fazer boas ações, vencer competições, ganhar dinheiro, ter sucesso, constituir
família. E, veja bem, estes são alguns
exemplos de casos que farão o indivíduo ser bem visto na sociedade, ser
querido, ser respeitado.
Mas é importante entender
que não somos um pilar de virtudes, que só pratica o que é bom e só se mantém
pelo bem. Em essência, todos nós temos,
em contrapartida, uma parte que é má. E
ser mau também é necessário. Quando nos
questionamos sobre a maldade que há em nós, ninguém quer enxergar maldade em si
mesmo.
Sentimentos como gula, ira,
preguiça, avareza, vaidade, luxúria e inveja vêm acompanhando o ser humano
desde sempre. Entretanto, só no século
6, o papa Gregório Magno definiu como sendo sete os principais vícios de
conduta que são da natureza do seu humano, embora a Igreja Católica só tenha
formalizado a lista no século 13 (leia mais aqui). E não!
Esta lista de “pecados” não é exclusiva do cristianismo. Outras religiões, como o judaísmo e o islamismo
também definem bem em seus dogmas quais são os comportamentos que atuam contra
o coletivo.
É importante entender que
o ser humano não é essencialmente bom ou mau.
As condições em que o indivíduo se desenvolve certamente exercem grande
influência sobre seu comportamento enquanto adulto, e sem dúvida são determinantes
em relação à sua vida em sociedade. A
capacidade de avaliar os próprios sentimentos, ponderar sobre o que é moralmente
certo e errado dentro da sociedade em que se está inserido e o equilíbrio entre
bom e o mau instinto são essenciais na definição do caráter do indivíduo.
Buscar conhecer outras
formas de pensar, outras culturas, outros hábitos, outras formas de ver uma
determinada situação são maneiras de ampliar os horizontes e se colocar no
lugar do outro. Essa amplitude leva o
indivíduo a ponderar antes de criticar. A
capacidade de se colocar no lugar do outro talvez seja o primeiro passo para
entender que o bem e o mal são conceitos relativos, mas que atuam de forma
incisiva na vida das pessoas que nos cercam.
Apesar desta relatividade
de conceitos, entender o tempo e o espaço em que se vive e buscar novos ângulos
são fatores determinantes na definição de ser bom ou mau. Os reflexos das nossas atitudes na vida de
outros indivíduos que convivem conosco direta ou indiretamente também são
determinantes neste sentido. E estar
consciente de que cada ação que praticamos promove uma reação sobre o meio em
que vivemos e em nós mesmos talvez seja o melhor argumento para que façamos
sempre o melhor ao nosso alcance.

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