Somos bombardeados com estímulos de aceitação e rejeição o tempo todo, desde que somos bem pequenininhos. Se você não fizer isso, a mamãe não vai gostar de você, você tem que obedecer a professora, senão ela vai te colocar de castigo, se você não arrumar um namorado, vão achar que você vai ficar pra titia... Enfim, são muitas cobranças em vários aspectos da nossa vida.
E desde muito cedo somos guiados na busca da felicidade a partir do ponto de vista do outro, geralmente deixando o nosso desejo, a nossa vontade e a nossa essência de lado. A vida simples que a gente deveria buscar acaba se tornando uma maratona em busca de ser aceito pelo outro.
Com o tempo, acabamos acreditando que precisamos ser aceitos pelo outro. Que para alcançar a felicidade precisamos da validação do outro para que estejamos em dia com a sociedade e o que ela espera de nós. E nesse caminho vamos nos anulando em um ou outro sentido, com o objetivo de agradar o outro e fazer parte de algo maior que nós.
Neste processo, a nossa autoestima pode sofrer podas bem drásticas e ficar danificada pro resto da vida. Na ânsia de ser uma pessoa melhor pro outro, vamos anulando aspectos da nossa personalidade que nos deixavam mais felizes e vamos mergulhando em um processo de frustração e anulação.
Aí chegamos à vida adulta carregando traumas, complexos e insatisfações que só vão ser tratados se buscarmos ajuda profissional, fazer terapia ou qualquer coisa nesse sentido. E, pra viver bem, viver com qualidade, temos que reestruturar o nosso comportamento baseando nossas ações em busca da felicidade que perdemos ao longo do caminho, na tentativa de sermos aceitos pelo outro.
A nossa estrutura mental é um aglomerado impressionante, onde o consciente e o inconsciente atuam de formas algumas vezes inesperadas, fazendo com que tudo aquilo que aconteceu com a gente desde que nascemos interfira em algum nível na nossa vida toda.
Buscar o autoconhecimento, seja através de terapias ou de qualquer outra forma, é a única alternativa que nos resta se quisermos viver com uma certa paz de espírito e com tranquilidade. Desfazer todo o emaranhado de tramas que foram depositados no nosso inconsciente desde o berço é uma tarefa bastante pesada. Não é fácil.
Viver um relacionamento abusivo, identificar uma dependência afetiva, ter liberdade de sentimentos, viver um relacionamento consciente, sentir amor próprio de uma forma bem resolvida e estável são aspectos da vida adulta que deveríamos identificar e buscar desde muito cedo. E, na maioria dos casos, percebemos que a nossa educação exatamente vai na contramão desta busca.
Nunca é tarde pra pensar em como estamos conduzindo a nossa vida. E nunca é tarde pra tomar uma atitude e tentar consertar algumas pecinhas que foram danificadas ao longo do nosso desenvolvimento enquanto indivíduos. Buscar entender as nossas posições em relação a determinados assuntos e entender que às vezes podemos precisar de alguma ajuda pra lidar com algumas destas posições são os primeiros passos para começarmos a consertar essas peças.
Sem comentários:
Enviar um comentário